Créditos/Credits: fotos e imagens/photos and images – Luís Sustelo Afonso, Patricia Bardi, Carlos Reis, Eduardo Condorcet, Giuseppina Capprara, Claire Bevacqua, Joana Gonçalves, Alexandre Bordalo, Rita Barracha, Inês Barracha;
Monthly Archives: Novembro 2012
inscrição no corpo / inscription in the body
Escrever tornou-se uma incorporação, uma volta que o corpo faz, uma energização que se mostra num conceito, numa acção após outra acção, numa proposta tanto de reflexão como de questionamento.
To write became an incorporation, a turn that the body does, an energization that shows itself within a concept, in an action after another action, in a proposal of a reflection as of questioning.
Depois de muitas gravações de conversas, muitos apontamentos em blocos de notas, aquando de uma investigação temática para um projecto, emergem textos, sugerem-se autores, referem-se citações, livros, e descobre-se uma série de novas possibilidades de escrita.
After recording many conversations, after many writings on notebooks, when investigating a theme for a project, texts are emerging from it, authors are suggested, quotations are referred, and we discover a series of new possibilities of writing.
Esta faz a ponte entre uma prática experimentada e uma forma explícita de nos referirmos a conceitos e pesquisas, ou a pensamentos criados a partir do movimento, ou que se formam porque se moveu ou se dançou. Isto também mexe com as percepções e com o intelecto, que não se afirma pela observação mas pela passagem pela prática, teorizada posteriormente e posta de novo em prática, num diálogo articulado com as várias partes do cérebro, dentro do seu próprio corpo.
2012 – Memória do Corpo / Memory of the Body
Apresentado em Teatro da Garagem/ Teatro Taborda com produção de Maria João Vicente, João Belo e Miguel Cruz em Janeiro de 2012, com protocolo com a Universidade Nova de Lisboa/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
Presented in Teatro da Garagem / Teatro Taborda with production of Maria João Vicente, João Belo e Miguel Cruz in January 2012, with a protocol with the University Nova of Lisbon/Faculty of Social and Humans Sciences.
A criação do espectáculo “Memória do Corpo”, em co-composição com os seus intérpretes, com formações no teatro, na dança, na música e nas artes digitais, foi apresentado este ano em Lisboa, como forma de culminar a pesquisa feita durante dois meses sobre este tema da memória, e em especial como ela se processa no corpo, ou como se pode desenvolver ou revelar.
The creation of the performance “Memória do Corpo”, in a co-composition with their interpreters, with background in theatre, in dance, in music and in digital arts, and was showed this year in Lisbon, as a form of getting into a goal with the research done during two months about this theme of memory, in special as it it processed in the body, or how it can be developed or revealed.
Teve colaboradores como Guida Costa (trombonista), Ana Mota Ferreira (actriz-bailarina), Miguel Ferreira Vidal (actor), José Sena (actor), Rita e Inês Barracha (artistas plásticas/artes digitais), Carlos ‘Zíngaro’ (violinista/compositor musical), Rui Lameira (apoio técnico e edição de som), e Cecília de Lima (consultora coreográfica). A voz foi processada musicalmente com uma ‘loopstation’ e transformada por isso no momento presente da acção teatral. Os textos em que nos inspirámos foram “A última gravação de Krapp” de Samuel Beckett, e “As cadeiras” de Eugéne Ionesco.
Had collaborators as Guida Costa (trombonist), Ana Mota Ferreira (actress-dancer), Miguel Ferreira Vidal (actor), José Sena (actor), Rita and Inês Barracha (visual artists/digital arts), Carlos ‘Zíngaro’ (violinist/musical composer), Rui Lameira (technical support and sound edition), and Cecília de Lima (choreographic consultor). The voice was processed musically with a loopstation and transformed by it in the present moment of the theatrical action. The texts in which we inspired ourselves were “The last tape from Krapp” from Samuel Beckett, and “The chairs” from Eugène Ionesco.
A criação foi assumida como um trabalho de experiências, não diria experimental mas experiencial. Citando da p. 59 da sua dissertação de Mestrado: “no presente trabalho de projecto, não nos revemos nesta ideia de composição final acabada; não exerci pressão para finalizar a composição, para que, ao envolvermo-nos com o exercício de mestrado como espectáculo, ficássemos ‘aliviados’, deixando espaço para descobrir o tema da memória do corpo, incluindo a percepção e a presença em cena”.
The creation was assumed as a work of experiences, not experimental but experiencial. Quoting form page 59 of her Master’s dissertation: “in the actual project work, we don’t see ourselves in this idea of final and finished composition; I din’t pushed anybody to finished the composition, and in that way, while involving us with the practical exercise for the Master degree, as the performance was, we became ‘relieved’ , living space for discover the theme of the memory of the body, including the awareness and the presence on stage”.
Portanto, a pesquisa e reflexão que os co-criadores foram fazendo, e que a Cristina, como génese e líder deste processo, explana no seu texto, são mais importantes do que o espectáculo.
So, the research and reflection that the co-creators were doing, and that Cristina, as the genesis and as the leader of this process, explains in her text, are more important that the performance itself.
Depois de assistir ao espectáculo Memória do Corpo, no Teatro da Garagem/Teatro Taborda, em Lisboa, em Janeiro de 2012, o seu Professor orientador, Paulo Filipe Monteiro, escreveu: “Vim para casa com a boa sensação de ter visto um espectáculo não apenas limpo como muito generoso. A Cristina tem muita coisa para dar e dá. Como eu escrevi nas minhas notas nessa noite, o espectáculo tem muita coisa sem nunca ser pretensioso, o que é raro. Tem-se a sensação de uma dádiva, e isso é muito bom.”
After watching the performance Memória do Corpo (Memory of the Body), in Teatro da Garagem/Teatro Taborda, in Lisbon, in January 2012, her Faculty Professor, Paulo Filipe Monteiro, wrote: “I came home with the good feeling of having seen a performance not just clean but very generous. Cristina has a lot to give and she gives. As I wrote on my notes that evening, the performance has many things without being pretentious, what is rare. One has the sensation of a gift, and that is very good.”
E continua, reforçando: “Através do seu texto podemos ver como o processo foi rico, e como o projecto é muito claro e perseguido com determinação. “Não terá o corpo uma pulsão que pode expulsar dele, de forma espontânea, apenas pelo movimento?” (p. 36). “Não sendo um trabalho mental, nem tendo associações do género, as sensações corporais são a fonte para esta memória se revelar” (p. 9) mas também só se revelam, ou se revelam mais, ou há outras que se revelam, através da composição de movimentos e gestos (p. 13). Ou seja, “tentámos desencadear um discurso do corpo que revelasse outros tipos de informação, mais delicados ou ocultados na memória do corpo, e se transformasse em algo mais inteligível” (p. 14).”
And he goes on, reinforcing: “Through her text we can see how the process was rich, and how the process is very clear and pursued with determination: “Isn’t there a pulsion that the body can expel from itself, spontaneously, just by the movement?” (page 36). “Not being a mental work, or not having associations with gender, the body sensations are the source for this memory reveal itself” (page 9) but only reveal themselves, or reveal more, or are there others that are revealed, through composition of movements and gestures (page 13). That is, “we tried to initiate a discourse of the body to reveal other types of information, more delicate or hidden in memory of the body, and turning into something more intelligible” (page 14).
2011/2012
Colaborou com Martha García Cardozo, coreógrafa colombiana radicada em Lisboa, num solo “Lehb”, sobre várias perspectivas sobre o coração, considerando elementos desde o som da palavra, até aos significados mais profundos deste órgão. O músico compositor Edison Otero acompanhou todo o processo de construção coreográfica. O solo foi mostrado no Festival Internacional de Solos do Centro Cultural Malaposta em 2011. A artista plástica Leonor Pego fez uma exposição de corações, em diversas materiais e fundições, que também foram exibidos no Festival. Em 2012, participou como intérprete em “Rio Guanila” de Martha García Cardozo, apresentado ao público como uma mistura cultural de danças tradicionais sul-americanas, com algumas influências de dança contemporânea que desvendavam uma dramaturgia centrada no corpo multicultural, mas acima de tudo na aculturação, tanto feita na Europa como na América Latina.
Collaborated with Martha García Cardozo, colombian choreographer based in Lisbon, in a solo “Lehb”, about several perspectives about the heart, considering elements from the sound of the word ‘heart’, and profound meanings of this organ. The musician composer Edison Otero followed the whole process of the choreographic creation. The solo was showed at the International festival of Solos in the Cultural Centre of Malaposta in 2011. The visual artist Leonor Pego made an exhibition of hearts, in several materials and foundries, also exhibited in the Festival. In 2012, participated as an interpreter in “Rio Guanila” (Guanila River) of Martha García Cardozo, presented to the audience as a cultural mixture of south-american traditional dances, with some influences of contemporary dance that unveiled a dramaturgy centered in a multicultural body, but, above all, in the aculturation, in Europe and in Latin America.
Ficha técnica/Cast – “Lehb”
Criação e Coreografia/Creation and Choreography: Cristina Benedita / Martha García Cardozo
Música/Music: Edison Otero; Voz/Canto – Voice/Singing: Cristina Benedita
Vídeo captação de imagens para edição / Capture of images: Cristina Benedita
Vídeo captação de imagens e Edição de vídeo /Capture of Images and edition: Edison Otero
Fotografia/Photography: Alexandre Bordalo
Apresentado em Festival Internacional de Solos da Malaposta 2011/Portugal
Presented in International Festival of Solos of Malaposta 2011/Portugal
Ficha técnica/Cast – “Rio Guanila”
Criação e direcção coreográfica/Creation and choreographic direction: Martha García Cardozo
Intérpretes/Interpreters: Martha García Cardozo, Cristina Benedita, Karina Mota, Daiami Mestre, Valdemir Santos, Kanthavel Pasupathipillai, Gany Ferreira, Afonso Costa; colaboração de alunas do Estúdio DançaLivre/Lisboa -collaboration with students form DançaLivre Studio of dance/Lisbon
Apresentado em Espectáculo Multicultural no Auditório da Malaposta, 2012
Presented in Multicultural Performance in the Auditorium of Malaposta, 2012
2009/2011
De realçar o trabalho de campo, feito em Itália, com o artista sul-africano Tebby Ramasike (TBO Dance Company), desenvolvendo um cruzamento de influências africanas rituais, com dança Butoh (Afro-Butoh) e com voz e dança contemporânea, numa pesquisa de ciclos de vida, de momentos e retornos, criando “Song of the Earth”. Para esta residência artística, Cristina teve apoio financeiro parcial para viagem e estadia em PallazzoRinaldi (residência artística), da Gestão e Direitos dos Artistas. Participaram em festivais na zona sul do país (ArtTraction Festival) e em Portugal (Plataforma Internacional de Coreógrafos). Houve novo encontro em anos seguintes para uma nova criação “Ode to the moon”, participando no mesmo festival italiano e começando actualmente a edição de um vídeo sobre o processo de trabalho feito.
Ficha técnica de “Song of the Earth” Concepção artística: TBO Dance
Criação e Interpretação: Cristina Benedita e Tebby Ramasike
Música ambiental: recolha feita em campo de sons da Natureza
Apresentado em Festival ArtTrazzione 2009 Noepoli/Itália, Festival Plataforma Internacional de Coreógrafos 2010 Almada/Portugal;
Ficha técnica de “Ode to the moon” Concepção artística: TBO Dance
Criação e Interpretação: Cristina Benedita e Tebby Ramasike
Criação de Música ao vivo/voz processada: Cristina Benedita Violinista/Improvisação: Susanne Zapf Banda sonora: La Cosa Preziosa (Suzanna Capprara)
Captação de vídeo: Claire Bevacqua (www.clairebevacqua.com) e Giovanni Nulli
Apresentado em Festival ArtTrazzione 2011 e ‘Performance para uma pessoa no público’ ao Ar livre em bosque de Noepoli 2011;

Imagem casulo / Image cocoon

2008
Com “Casulo – Metamorfoses de um corpo”, a sua movimentação inspirava-se evidentemente num casulo e nos movimentos de um insecto, mas tendo gerado a banda sonora a partir de sons gravados em ensaios em estúdio de dança, depois compostos e modificados electronicamente por Rui Lameira, e utilizados em cena. Também de referir a ironia que textos de Lipovetsky (‘A era do efémero’) deram como tom de influência e transformação na dramatização de partes da dança executada.
Ficha técnica de “Casulo – Metamorfoses de um corpo”
Concepção artística e interpretação: Cristina Benedita
Composição e edição musical (feita a partir de sons recolhidos em sala de ensaios e processado electronicamente para a banda sonora)
Concepção e execução de adereço cenográfico/Guarda-roupa: Maria F. Captação vídeo: Eduardo Condorcet
Apresentado em Festival Internacional de Solos da Malaposta 2008; vídeo projectado em Festival ArtTrazzione 2009 Noepoli/Itália)
















